sábado, 2 de maio de 2009

Gás

por Pedro Kurtz,

Como vão minhas amigas jornalistas?

Vi há pouco Frost/Nixon. Lembrei das duas.

O filme é demais. Se não assistiram por favor aluguem hoje - sempre com uma garrafa de vinho, é claro.

O que achei incrível e me fez lembrar de vocês foi a relação entre a vida pública e a vida privada.

Cada dia mais, tenho profunda admiração pelo compromisso com a vida pública. A opção profissional de vocês carrega inerentemente esse compromisso. É um compromisso corajoso e audacioso. Seja com palavras ou imagens, o jornalismo pressupõe essa decisão. Uma decisão de transmitir ao próximo, ao público, a informação. Transmitir a verdade, para ser absorvida e julgada pelo outro.

Como já conversei com as duas essa verdade é sempre influenciada pelo transmissor, e acho que deve ser assim. O importante, me parece, é a precisão e a acurácia do que é passado.

No entanto, o que me emociona e anima agora é o conceito de optar pela vida pública.

A vida privada é desimportante. Carrega pouco risco e beneficia quase ninguém. O que se aprende ao longo da vida só tem sentido se compartilhado com o maior número de pessoas possível e transmitido com precisão. O jornalismo e a ciência se parecem nesse sentido. Mas apesar de ter me apaixonado pela ciência médica continuo com ciúmes do impacto que vocês tem na vida cotidiana e nos assuntos que definem nossas opiniões e conceitos.

Não desanimem nunca. Não desanimem de escrever, transmitir, entrevistar e pensar. A opção de se expor `a vida púbica que fizeram com o jornalismo é provavelemente a contribuição mais importante que qualquer um de nós poderia fazer a uma sociedade democrática e evoluída. Cedo ou tarde os sentimentos de recompensa e realização chegam.

Admiro as duas demais. Um beijo,


PS Em anexo vão minhas fotos preferidas das duas




2 comentários:

  1. Juju, te descobri graças ao blog do Pedro!!

    Parabéns, muito legal. Estou em vias de criar um para ser o meu saco de areia. Bem mais eficaz do que meros e-mails!

    Sobre o texto do meu queido xará, tenho a mesma sensação, há certa frustração por perceber que grande parte das atividades desempenhadas nas carreiras privadas não ecoa para além de relações meramente pessoais.

    No entanto, não podemos desconsiderar as contribuições oriundas de uma atuação apaixonada na carreira privada, em temas que influenciam a coletividade, alteram a realidade e muitas vezes a própra postura do poder público.

    Dois bons exemplos dessas atuações engrandecedoras, que deixaram marcas, cada um à sua maneira e dentro de seu contexto:

    vi, na semana passada, o filme para TV que conta a história de Vivien Thomas e Alfred Blalock, médicos que se atreveram a mexer em corações quando isso era impensável, tendo realizado a primeira cirurgia cardíaca na história da medicina, salvo incorreção fática do filme. A história do Vivien é especialmente bonita e o legado deixados por eles foi definitivo, para a humanidade.

    O segundo exemplo vem de casa, e o menciono com muito orgulho: a atuação de meu pai na luta incansável pela defesa das garantias constitucionais e contra constantes arbitrariedades de órgãos públicos, como o Ministério Público e a polícia federal, enfim, conseguiu chamar a atenção do país e da opinião pública. Um caso de repercussão nacional, a denúncia de que a ABIN atuou como sucessora do extinto SNI, e enfim o país percebeu que a periculosidade das idéias de que fins supostamente nobres justificam qualquer meio. Digo, sem medo de errar, que ele foi o maior responsável por ter provocado esse debate, tendo desempenhado um papel muito importante na luta pela preservação do Estado Democrático de Direito.

    Mas esses contatos externos na carreira privada são poucos, e são para poucos.

    Sempre tive encanto pelo jornalismo. A responsabilidade da profissão é enorme, e a sua beleza, do mesmo tamanho.

    beijos a todos!

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  2. Texto excelente.O jornalismo perdeu um grande profissional para a ciencia médica.

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