

Pensei em escrever sobre amizade. 

Pensei em escrever sobre amizade. Mário Quintana
Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...



Ontem liguei pro mestre pra papear. Quis saber o que ele achou do monte de bobagens que estou escrevendo aqui. Não aguentei. Entre outras coisas, disse que deveria postar um compacto do documentário da Vila Sahy. Chamou atenção para detalhes. Deu sugestões. Tudo anotado no caderninho. Cheguei em casa. Fui procurar na minha bagunça o dvd. Quéde? Quéde, João? Não encontrei, pra variar. Mas, achei um texto lindo que tive o prazer de estar por perto quando foi escrito. Ainda não está acabado. É rascunho. Por isso, peço licença. Copiei e colei. Para saudar a primavera.
RELAX
Na minha infância eu sempre imaginei a primavera como a estação que estende um tapete, bem colorido, pra gente passar do frio para o quente, do inverno pro verão. Todos tinham que desenhar flores, eu não sabia desenhar, gostava de escrever.
Foi então que me disseram que na vida temos que escrever um livro, ter um filho e plantar uma árvore. Esta era a regra para passar pela vida produzindo algo. É claro, no canal comum dos mortais e simplistas de plantão que confundem viver com passar o tempo e ter filho com “produzir gente”. Aliás, ter filho exige responsabilidade, maturidade e, principalmente, orçamento que resista ao custo família destes nossos difíceis tempos, saúde, educação, etc. etc.
Escrever um livro, hoje é mais fácil. Bem simples até. Qualquer um escreve, muitos publicam. Não há compromisso com a qualificação de conteúdo e a vaidade não considera o “senso de ridículo”.Afinal poucos, muito poucos, lêem. É uma pena. Um empobrecimento cultural.
A TV ocupa tempo demais das pessoas com a mediana-mediocridade. Deseduca o tempo todo. Precisa vender produtos mas, vende valores e conceitos equivocados, como se produtos fossem. Eu não tenho capacidade ou conteúdo para escrever um livro. Só para amá-los. Filhos, já os tenho.
Mas, nosso assunto agora é a terceira premissa do “passar pela vida“ : plantar uma árvore! Eu diria que hoje estou plantando um filho no mundo e criando algumas árvores. Meu filho foi para o Estados Unidos fazer intercâmbio, estudar, crescer, aprender, olhar o nosso país com uma visão de fora para dentro, ser cidadão do mundo. É difícil a separação, mas é importante e necessária para a história de vida deles. Não aprendemos, ainda, a criar filhos para o mundo. Queremo-los para nós. Erro clássico, sofrimento garantido. Eles vão embora...cedo ou tarde...
Já arvores planto o tempo todo. Prefiro as frutíferas. Elas ficam lá, literalmente, plantadas. Não vão a parte alguma além da vontade do vento. São criaturas vivas. Umas dão frutos, outras flores, todas com certeza, sombras. Um dia também morrem, como o ipê da Dona Fátima, ela não se conforma. Não aceita a chegada da primavera sem o ipê florido. Sem as flores amarelas, deitadas em berço esplêndido sobre a verde grama, que desenhava uma bandeira brasileira, em um pomar candango do lago sul de Brasília. Uma assinatura da natureza para a primavera do cerrado.
Assim são as árvores,elas não são figurantes, não compõem apenas cenários. São vivas se misturam com as pessoas. Com as histórias delas. Não são notadas. Quando partem, por velhice ou sentenças de moto-serra e insensibilidade humana, fazem uma falta danada.
Voltemos as três premissas da construção da vida : livros, árvores e filhos. Não escrevo livros, tenho filhos e sou, essencialmente, um plantador de árvores. Além de compulsivo “jardineiro“ de bibliotecas, para mim uma espécie de pomar de sabedoria que frutifica em todas as estações. Eu planto árvores, quem quiser que as corte..
Um dia, nós os plantadores, seremos maioria. Prevalecerão as árvores e bons filhos muito além das primaveras.
Luiz Gonzaga Mineiro
Não dá mesmo pra entender.






Não tive dúvida.
foto:kevin smith




