segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Vender meu peixe


Tenho medo danado de cair na vala do lugar-comum.
Ainda bem que minha audiência é de uma pessoa, minha mãe, claro.
Posso escrever o que eu quiser, minha mãe vai achar o máximo.

Hoje fui na feira comprar caranguejo.
Todos vocês sabem que a Califórnia é natureba. (lugar comum?).
Na geladeira aqui de casa, produtos são dos fazendeiros locais. Toda segunda chegam numa caixa lacrada - Organic Products. Vai dizer pra alguém numa conversa de botequim (aqui nem tem, mas a gente inventa) que na sua casa a comida não é orgânica. Te olham com cara de espanto. Espanto tiveram quando pedi, num restô bacana, uma carne suculenta, quase sangrando. Pensaram que eu tinha acabado de sair das cavernas.
Meu cabelo estava sem chapinha. Ferrou.
Como não tenho personalidade. Vivo em Roma como os romanos, já falei isso aqui, né. Problema sério ficar repetitiva.
Não como mais carne vermelha. Nem nunca ouvi falar.
Carne branca. De preferência, seafood.
Finalmente, comprei caranquejo pra janta de hoje. Crab, né gente.
Algumas palavras ficam mais sonoras em outra língua.
Sou contra o portuglês. Acabei de inventar, que horror!
Falar crab é melhor que caranguejo. Seafood é melhor que frutos do mar.
Vai pedir prum gringo falar caranguejo pra você ver o que vai acontecer.
Se você prefere ser alegre que ser triste vem pra San Francisco comer CRAB!
Crab cake, crab salad, crab legs...
Patinha é mais sonoro.
Adoro.