domingo, 26 de abril de 2009

Democratizar Responsabilidades

por LGMineiro


Brasília é uma cidade injustiçada pelo olhar preconceituoso e imediatista dos que lêem apenas as linhas. São desinformados das entrelinhas, logo, são manobrados pela mágica do imediatismo midiático, do exercício de imagem, da forma, em detrimento do conteúdo. Brasília é a capital do Brasil e resumo dos muitos Brasís que somos. É resultado da pluralidade de sotaques, culturas e interesses nacionais.

Dos desmandos e abusos que alimentam a imprensa hoje, Brasília não é culpada, é vitima. Pratica-se política em Brasília hoje, também no sentido mais amplo e nobre da expressão. Só que em outra extremidade do conjunto de atores, por mais incrível que possa parecer, os eleitos e seus escolhidos para postos e privilégios é que são responsáveis pelas mazelas, vergonhas e impurezas do exercício público.

Não foi Brasília que os escolheu. Há uma multidão de servidores públicos no mais nobre sentido do termo. Existe sim uma minoria desqualificada que usa e abusa de podres poderes. É minoria. Reafirmo. Nos enoja a todos, inclusive aos Brasilienses.

São milhares de brasileiros, de todas as matizes, que atuam na estrutura orgânica do Estado. Fazem a máquina pública girar no interesse da sociedade, fazem política de eficiência, política pública na fiscalização do interesse coletivo... São milhares de anônimos, técnicos, especialistas, doutores em gestão pública. Eles são os olhares de cidadãos, contribuintes. Estão permanentemente atentos e comprometidos na defesa da qualidade e da seriedade do serviço público. Não geram escândalos, nos os criam nem os germinam, pelo contrário, denunciam, apontam os erros. Exigem soluções. São brasileiros dignos.

É determinante entender, compreender e separar Estado de Governo. Governo é transitório, nós o elegemos para a administração de nossos interesses por um período. O Estado é permanente, é nosso. Somos os donos. Precisamos aprender a nos apropriar dele. Nenhum brasileiro compreende tão bem esta questão quanto o brasiliense. Ele, com maestria, não mistura mas sofre com o preconceito contra Brasília. Está sob suspeita o tempo todo. Morar, viver em Brasília, tem um alto custo social, moral e humano . Sempre é culpado até prova em contrário.

A imagem poluída de escândalos, de dissabores e desapontamentos do país com determinados tipos de problemas fica tatuada na arquitetura brasiliense como se eles, os problemas, nascessem, crescessem e florescessem aqui. Na absoluta maioria das vezes são formados, prontos e amadurecidos nos diversos estados desse país. Brasília é apenas o ponto convergente dos interesses nacionais, ou nesses casos, dos desinteresses da pátria. A composição política do parlamento é de responsabilidade de todos os brasileiros. Talvez esteja ali a maior parte dos problemas que tanto incomodam a todos. Vale reforçar que, democraticamente, os deputados e senadores, bem como a maioria de seus assessores, vieram dos estados com procurações assinadas por milhares de eleitores. Atuam na capital da República, portanto, Brasília, é apenas a caixa de ressonância dos seus atos. O Brasil os conhece via Brasília. Para o bem ou para o mal.

Aliás, a contribuição de Brasília nessa matemática é bem pequena se comparada a outros estados. Brasília, se não me falha a memória, elege apenas cinco deputados federais e, como determina a lei da equidade, três senadores. É preciso mudar nosso olhar sobre a cidade, sobre sua gente honrada e trabalhadora. Cabe a nós, brasileiros de cada cantinho deste país, escolher direito quem queremos lá. O critério de escolha é nosso, a nomeação é pelo voto. Somos nós os eleitores. Logo temos uma enorme responsabilidade pela qualificação dos componentes do PARLAMENTO.... e indiretamente de seus assessores. Brasília vai muito além da Esplanada. E mesmo se simplificarmos nosso olhar para a Praça dos Três Poderes e insistirmos na leitura média do brasileiro sobre Brasília, temos a obrigatoriedade de afirmar que mudanças ocorrem. São Boas. Há hoje uma maior percepção das novas demandas da sociedade e uma sintonia mais fina entre o poder e o interesse do povo. Isto é conquista. É crescimento do Estado e inteligência na gestão pública. Há uma maior transparência e uma vigilância mais cidadã. Ainda não basta, mas já existe.

O Ombusdsman, da Folha de São Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, em sua coluna deste domingo, 26 de abril, trata com primor desta delicada e preocupante questão da cobertura jornalística sobre os episódios de Brasília dos último dias. Ele, com toda razão reforça a importância da cobertura e o dever da imprensa de apurar e divulgar tudo que de irregular existir. É vero. Num texto literal nos convoca a uma reflexão, referindo-se a Folha, mas que pode, perfeitamente ser universalizado, Aspas, por favor “... o viés moralista que adota como prisma para o enfoque dos fatos é insuficiente para colaborar com a melhoria das instituições e traz em si o risco enorme de ajudar a corroer a confiança da sociedade nelas ao incentivar um ira paralisante”.... Em suma, como diz o próprio texto em destaque, o enfoque dos fatos no Congresso é insuficiente para colaborar com a melhoria das instituições. Eu mero olhador de mundo escrevedor modesto, como diria Guimarães Rosa. Tomo a liberdade de, respeitando as milhares de léguas que me separam do ilustre jornalista em sua riqueza de conteúdo e qualidade de informação, pegar carona na oportuna análise dele para reforçar que esta prática do “Todos Iguais” do “Deboche Crônico” é imediatamente estendida á população de Brasília. Resvala-se pela inconseqüência. Se bastam na apuração equivocada dos dois lados. Os interesses são muito maiores. Tem muito mais lados. Ramificam-se por Estados e Municípios. Quem sabe viajar ajude a compreender melhor o eco de congresso e ministérios. Existem mudanças importantes.

Só os míopes da leitura única e repetitiva não conseguem enxergar o importante papel dos funcionários públicos federais nesta transformação. Eles podem estar no primeiro, segundo ou terceiro escalão. Não importa. Na prática são linha de frente. Vivem em Brasília. Trabalham em Brasília, suas famílias estão lá... como em qualquer outra cidade do Brasil. Existem,os ruins,mas a absoluta maioria é trabalhadora e honrada. Tem o mesmo sentimento de indignação do paulista, piauiense, goaino, carioca etc. etc. diante dos absurdos que assolam os valores e o respeito

Lá em Minas aprendemos logo cedo que política é coisa boa, necessária e determinante para o bem viver. Que a política séria, responsável e conseqüente, vai muito além do poder. É, na verdade, uma ciência de transformações. Aprendemos, desde pequeninhos, que é na ação política que se insere a governabilidade. Vivi em Brasília conheci muita gente com este perfil e que pratica isso. Estão à serviço do interesse público. Não foram eleitos nem convidados à mesa farta da gastança e do Abuso. Foram selecionados em concursos e se sustentam pela qualidade e competência dos serviços que prestam. Precisam agora do nosso voto.

Do voto de confiança.


Um comentário:

  1. Falou e disse. Muito certo."Não foi Brasilia que os escollheu". O cidadão brasiliense é confundido com tudo o que acontece de ruim na política .Como disse o Mestre: "nós temos o mesmo sentimento de indignação do paulista, piauiense, goiano, carioca, etc.diante dos absurdos que assolam os valores e o respeito."

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